Venda ambulante na boémia nocturna da baixa do Porto

Problema é resultado da venda de bebidas em todas as janelas de rua e passeios da baixa. Foto: Nataniel Diogo

Nós temos que nos convencer que não deixamos de ser inteligentes se, quando temos um problema, perdermos algum tempo a tentar perceber como é que outras pessoas, ou povos, perante esse mesmo problema o resolveram.

Além da vantagem de poder conhecer os resultados dessa solução, pode-se sempre perceber quais as dificuldades e opções que existiram para solucionar esse problema.

Se calhar, até somos mais inteligentes se aprendermos com as experiências alheias em vez de sujeitarmos um número enorme de pessoas ao nosso experimentalismo.

A questão dos horários a praticar nos cafés e bares da noite da baixa do Porto é um belo exemplo disso.

A proposta de decisão da Câmara é uma proposta salomónica, que corta ao meio uma situação que, tal como no caso de Salomão, não agrada a nenhuma das partes: obrigar os cafés e bares a fecharem a horas que dá cabo, em alguns dos casos, do próprio negócio sem com isso resolver o problema principal, que é o número elevado de pessoas a beber no meio da rua a partira das horas mais avançadas da madrugada.

Dizem todos os que conhecem bem a situação que o problema não existe até às 4 da manhã mas depois dessa hora e, sobretudo, em resultado da venda livre de bebidas a baixo custo em todas as janelas de rua e passeios da baixa, que, ao fim da noite, produz uma legião de entusiasmados que entornam literalmente os seus excessos por todas as ruas e cantos que encontram.

Como é que então outras cidades europeias resolveram este problema, já que não custa perceber que este problema só é novo aqui, que outros lugares passaram pelo mesmo problema? A resposta está numa lei, ou regulamento, que proíbe beber na rua.

Nós sempre achámos retrógrado e bizarra a ideia de se proibir a venda de bebidas alcoólicas na rua porque não percebíamos que problema é que isso resolvia. Agora percebemos, é o que temos na baixa do Porto. Se for proibida a venda de bebidas na rua, quem quiser beber tem de entrar num bar e beber lá dentro. Isso reduz o ruído na rua e limita a confusão cá fora. Além de permitir uma coisa a que ninguém liga nenhuma mas que é a possibilidade acrescida de se conseguir cobrar impostos aos consumidores de bebidas, porque, se o IVA já se aplica à taxa normal a tantos produtos necessários, era o que faltava que a malta que vai para os copos não contribuísse para pagar a dívida que contraímos alegremente.

Quem quiser beber que beba dentro de algum estabelecimento nocturno!