Importarmo-nos

Foto: Filipa Rodrigues
Quando a única coisa que ocorre no centro histórico é a contagem dos anos que passam desde que a Unesco decretou o Porto como Património da Humanidade parece que o fado desta jóia é mais parecido com o das gravuras de Foz Coa do que de uma cidade que percebeu que tratar da sua identidade é essencial para neste presente apertado se projetar num futuro melhor.
Não vale a pena expiar as culpas procurando nos outros, as autoridades, a responsabilidade do que é de todos.
A grande questão é incómoda e é a mesma desde antes do 4 de Dezembro de 1996: como vamos nós ser capazes, todos, de dar vida a este espaço?
O que devemos fazer para melhorar, preservando, este património que temos a obrigação de viver e deixar em melhor estado do que o recebemos?
Há um pequeno gesto que faz uma grande diferença: frequentarmos, usarmos, cuidarmos e defendermos o centro histórico do Porto. Não deixar que as agressões se concretizem, não concordarmos com o abandono de quem diz que não há dinheiro.
Em resumo, importarmo-nos.
Francisco Rocha Antunes escreve segundo o novo acordo ortográfico.

Nasceu em 1962, em Moçambique, no seio de uma família grande e é portuense voluntário há mais de 20 anos. Gestor, tem há 10 anos uma pequena empresa de gestão de promoção imobiliária que desenvolve projectos de reconversão de imóveis. Foi até há pouco tempo chairman em Portugal do Urban Land Institute e foi convidado como Professional Eminente para ser fellow do Royal Institution of Chartered Surveyors, a maior organização profissional imobiliária do mundo. A sua paixão são as cidades e o seu fascínio são os mecanismos que regem a sua evolução. É liberal e cresceu do lado direito da política. Gosta de discussões públicas e acha que só através delas se consegue melhorar a governação das cidades. Defende a importância de um qualquer Arco Metropolitano do Porto para dotar os seus 3 milhões de habitantes da escala urbana necessária ao renascimento económico desta parte de Portugal e, por arrasto, do País todo. É um optimista incorrigível mas considera que temos todos de devolver muito mais à cidade, do tanto que dela recebemos, do que temos feito até aqui. Gosta também de vinho, de comida, de música e de árvores, entre tantas outras coisas.