Dá gosto pensar o Porto porque as oportunidades que ele nos desperta são infindáveis. Há potencial para se fazer de tudo e espaço para todos fazerem diferente (e é mesmo importante que assim seja). Entre as mil e uma coisas que podemos pensar, há, contudo, 2 ideias que considero indispensáveis independentemente de outras estratégias. Ambas partem da premissa de que o património só tem valor na medida em que consegue servir de base identitária à sociedade e instrumento à construção do seu futuro.

1. Preservar as comunidades autóctones que ainda subsistem no território. Antes de tudo e todos, o Porto é delas, pertence-lhes. Esta ambição é central, pois são os poucos que ainda não arredaram pé que carregam em si o espírito do lugar. São a insígnia da autencidade do local e serão eles que passarão o testemunho da identidade (que não é construída e não pode ser reabilitada) às próximas gerações. Sem eles o Porto seria um parque temático que podia ser replicado em qualquer subúrbio norte-americano.

2. Enxertar o território de jovens e famílias jovens capazes de se enraizar e incorporar nas suas vidas a identidade do lugar (os modos de ser e estar únicos que moldaram as pedras durante o tempo). Estes serão os verdadeiros arquitectos do território ao reproduzir no futuro e à sua maneira as guias não escritas de uma outra geração. Depende deles um Porto capaz de aguentar invicto ao peso da vitrina de museu.

A partir destas linhas mestras o desafio é reapropriar um território quase perdido e recentralizar a cidade em torno do seu centro natural. Este tem de voltar a ser o motor que puxa pela cidade e aquelas as gentes que lhe dão sentido. Aliados ou desalinhados, todos os projectos serão poucos para que daqui a outros 15 anos possamos celebrar: um Porto mais Porto.